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quarta-feira, 29 de julho de 2015

A INFLUÊNCIA PRESBITERIANA EM JOÃO DOURADO NA BAHIA. LOCAL DO PRÓXIMO WORKSHOP DA TERCEIRA IDADE

JOÃO DOURADO - BAHIA

A célebre frase sobre a futura avenida ao norte da antiga fazenda Canal é atribuída ao coronel fundador da cidade que, em merecida homenagem, hoje leva seu nome: João Dourado.


Conta a história que por volta do ano de 1759, portugueses que moravam na região do Rio D’ouro emigraram para o Brasil, e aqui deram origem à família Dourado. Mateus Nunes Dourado se instalou em Jacobina, onde conheceu Joana da Silva Lemos, com quem se casou. Dona Joana, mulher corajosa, era desbravadora de lavras de diamante e carbonato: saía à procura destes metais nas serras da Bahia com seus escravos e escravas. Da união entre Mateus Dourado e Dona Joana nasceu José da Silva Dourado, pai de João José da Silva Dourado. João José, ao tornar-se independente, comprou um lote de terra na Fazenda Lagoa Grande-BA, mas não fixou morada. Casou-se com Gardiana Cardoso Pereira e com ela teve 12 filhos, entre eles João da Silva Dourado – que voltou para Lisboa, para o seminário. O jovem se formou, mas não foi ordenado padre. Voltou para o Brasil e residiu Macaúbas-BA, cidade onde se casou com Carolina. Deste matrimônio nasceu, em 1853, na cidade de Caetité-BA, João da Silva Dourado. Foi lá que se casou com Geraldina Guardiana, sua prima, em 1878 – ano em que o novo casal se mudou para o Morro do Chapéu-BA.

Durante o período regencial, os indivíduos poderosos e de grande influência política eram também considerados responsáveis pela segurança do país. Estes recebiam a patente de Coronel, representavam as autoridades locais do Império e deveriam organizar os cidadãos a servirem em situações de emergência em unidades militares da Guarda Nacional. No entanto, a Guarda Nacional foi extinta, e a denominação permaneceu como forma de tratamento respeitoso aos grandes fazendeiros e proprietários de terra. O patriarca João José Dourado, avô de João da Silva Dourado, recebeu uma sesmaria de 1.800 km2, que se tornou patrimônio da família Dourado e recebeu o nome de América Dourada. O patriarca trouxe para a América cerca de 400 pessoas, que vieram explorar a lavoura de algodão e a busca de carbonato, diamante e ouro. João da Silva Dourado - o Coronel João Dourado, que também veio, explorou novos pontos deste novo e vasto território, e ali fixou residência.
Escavando o local, que era coberto de lajedo, por volta do ano de 1889 o Cel. João Dourado fez vários canais que funcionaram como reservatórios de água para a sua fazenda – que nomeou “Canal”. O casal João Dourado e Geraldina teve 18 filhos, dos quais 12 sobreviveram e constituíram, ali na Fazenda Canal, famílias numerosas.



Cel. João Dourado -  O milagre


Em meados do ano de 1900, Canal tornou-se pouso de boiadeiros, por se localizar próximo à variante pela qual trafegavam as boiadas que vinham de Mansidão e Santa Rita. Um boiadeiro por nome Benjamim Nogueira, piauiense de Corrente, também pousou na Fazenda Canal. Protestante, o boiadeiro ofereceu ao Cel. João Dourado uma Bíblia, e durante suas viagens sempre procurou falar a respeito do evangelho ao dono da grande fazenda. Em uma das estadias de Benjamim em Canal, o coronel João Dourado queixou-se da seca que há muito assolava o sertão baiano e da conseqüente escassez de água na região. À noite, o boiadeiro se ausentou das barracas de lona nas quais pousava com seus serviçais e, ajoelhando-se, pediu chuva para saciar a sede dos animais e de todos os sertanejos. Conta a história que, naquela noite de agosto, choveu forte.


Canal e os primórdios do Presbiterianismo no Brasil.

O reverendo Pierce Chamberlain, missionário presbiteriano no Brasil, chegou a Salvador em 1º de outubro de 1899. No ano seguinte iniciou seu trabalho como missionário itinerante, passando pela Ilha de Itaparica, Cachoeira e Santa Luzia. De lá, passou a fixar residência em São Félix. “Em 1903, saindo a cavalo de Senhor do Bonfim, Pierce chegou ao Canal de Irecê, tendo pregado em todas as localidades do percurso: Campo Formoso, Saúde, Caldeirão Grande, Jacobina, Miguel Calmon, França, Morro do Chapéu e outros pontos" (Matos, p. 161). Foi numa destas viagens que conheceu o coronel João Dourado, que mostrou ao missionário as localidades que vinha evangelizando apenas com seu conhecimento pessoal da Bíblia. O coronel foi batizado pelo missionário, que prometeu uma professora para alfabetizar a família do patriarca. Em março de 1904 chegava a Canal a professora Damiana Eleonor da Conceição e no dia 05 de fevereiro de 1905 foi organizada ali uma congregação presbiteriana – uma das precursoras no Brasil – pelo Reverendo americano William Alfred Waddel. Nesta época a Igreja de Canal era frequentada por cerca de cem pessoas.

O coronel João Dourado tornou-se um grande evangelista no interior baiano ao lado de missionários pioneiros, como Chamberlain, Cooper, Waddel, Reese, Anderson, McCall e Bixler, sendo também pai e avô de dois pastores presbiterianos: Augusto da Silva Dourado e Adauto Araújo Dourado, respectivamente.

Em 1906, a mesma missão americana que fundou a Igreja de Canal, hoje I Igreja Presbiteriana de João Dourado, fundou o conhecido Instituto Presbiteriano Ponte Nova, na atual cidade de Wagner-BA. Dos primeiros doze alunos, oito deles foram indicados pelo Cel. João Dourado, sendo quatro deles filhos seus.

O coronel João Dourado, evangelizador, patriarca da grande Família Dourado e fundador da cidade que hoje leva seu nome, faleceu no dia 09 de julho de 1927, aos 74 anos.


extraído de: http://www.joaodourado.ba.gov.br/novosite/index.php/cidade#sthash.SysbkD1f.dpuf

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